CONTEXTO HISTÓRICO DE NAZARÉ DAS FARINHAS.
Até o ano de 1561, data em que o bispo D. Pedro Leitão fez a primeira visita pastoral ao interior da Bahia, nada se sabia sobre o povoamento da bacia do Jaguaripe. Teen-se noticias de que mais tarde, o padre Luis de Grã penetrou aquele rio partindo da Ilha de Itaparica e seguindo ao longo da costa até o sul, onde fundou as aldeias de São Miguel, Taperoá, e Camamum.
Apesar de já existir a aldeia de Santo Antonio dos Índios de jaguaripe, o povoamento da região só se iniciou em 1563, com colonizadores portugueses entre os quais se mencionam; Antonio Ribeiro (dono das Sesmarias concedida por Mem de Sá, primeiro governador geral), Gabriel Soares, Diogo Sande e Fernão Cabral de Ataíde; Este, provavelmente o primeiro a penetrar no território do atual Município de Nazaré.
Nos primeiros decênios da independência nacional, Nazaré prosperou de forma acentuada, para o que muito contribuiu o braço escravo, quer no trabalho da lavoura, quer na industria agrícola.
| Engenho do SEC. XIX. |
A designação de distrito criou-se em 1753. o município com sede na povoação de Nazaré das Farinhas (recebeu essa denominação em homenagem a Nossa Senhora de Nazaré), foi criado pelo decreto de 25 de outubro de 1831, que desanexou seu território do município de Jaguaripe.
Em Nazaré existiam vários engenhos, reconhecidos como produtivos (com levadas e rodas d'água), correntes e moentes no ano de 1799. Nazaré continuou se desenvolvendo nas primeiras décadas do século XIX sob a polaridade mandioca x cana de açúcar. Aumentavam também as roças de fumo e apareciam as primeiras plantações de café.
Os anos de 1840 foram muito promissores. Deram inicio a pequena industria artesanal de charutos, rapé, pichuã (extrato de nicotina), e sabão.
Havia outras riquezas em seus subsolos como por exemplo, manganês, cobre, mercúrio e cristais de rocha, entre outros. Foi por tudo isso que o imperador Pedro II estendeu à cidade de Nazaré das Farinhas a sua visita.
A estrada de ferro de Nazaré Tram Road, começou em 1869, como um projeto ambicioso de comerciantes e personalidades da cidade de Nazaré associados a senhores de engenho nazarenos e comerciantes da cidade do Salvador.
A cidade de Nazaré destacou vários homens de prestígios, nos exemplos dos médicos Alexandre de Barros Bittencourt, Eurico Mata, José Marcelino de Sousa, entre tantos outros.
São testemunha do progresso de Nazaré as fabricas de tecidos Sarapuí, o Cortume e a fabrica de óleos. Nos inícios dos anos de 1920 acrescentou-se a energia elétrica, o que significou para a cidade a posição de uma das primeiras cidades do interior da Bahia iluminada por luz elétrica
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A passagem de Ruy Barbosa pela cidade em 2 de dezembro de 1919, foi um episodio fugaz, mas expressivo de sua importância politica e econômica. Ruy Barbosa a visitou no decurso de sua campanha contra a volta de J. J. Seabra ao governo do Estado da Bahia.
Nessa "Terra Morena" existem vários bairros e suas histórias dentro da história de Nazaré.
A HISTÓRIA DO MEU BAIRRO
"RUA DAS PEDRAS".
O bairro onde nasci chamava-se Rua das Pedras localizado na cidade de Nazaré das Farinhas, situada no recôncavo baiano. Sempre tive curiosidade em saber a origem desse nome, então através da pesquisa orientada pelo Professor Dr. Alfredo Eurico Rodrigues Matta para o Referencial Teórico Metodológico de História, busquei conhecer a história do meu bairro.Conversando com vó Luzia, uma senhora de 86 anos, nascida e criada em Nazaré das Farinhas obtive algumas informações muito interessante.
Contou dona Luzia que antes, quando ela era bem pequena, esse bairro se chamava Rua das Quitandas mas, seus moradores sempre o chamou de Rua das Pedras pois, era um lugar em que os quintais eram cercados de pedreiras.
Ela disse que quando era pequena a rua tinha muitos sobrados estilo colonial, havia uma linha de trem que passava por dentro do bairro. De um lado havia os sobrados e casas de vários tipos do outro lado havia a fabrica de tecidos que era chamada de Sarapuí, uma detenção, e um jardim, na fabrica trabalhavam muitos conhecidos e vizinhos. A maioria das pessoas que trabalhavam lá possuíam problemas respiratórios devido a poeira dos fios de algodão que respiravam . havia uma sirene que apitava alto quando começava. ou encerrava o expediente.
Ao meio cortando o bairro e a cidade estava o Rio Jaguaripe, era bem largo, (dizia ela), não tinha as duas pontes; as pessoas atravessavam de guiga, jangada ou canoa, para chegar ao outo lado, no Alto do Barão, era um lugar bem alto onde tinha uma casa que ficava lá em cima atrás da Igreja da Conceição.
Era muito bonita a cidade. Tinha a Arrecadação, muitos eram os saveiros que chegavam e saiam carregados de coisas, peixes secos, porrões, panelas de barro flores, coco seco, dendê. Aqui em Nazaré, na rua da lama, antigamente tinha várias vinagreiras depósitos de farinha, deposito de madeiras, a cidade era muito próspera.
Sempre no mês de abril acontecia a feira de caxixis, nós nos arrumávamos com as melhores roupas e ficávamos desfilando para cima e para baixo, comprando os caxixis que eram trazidos por barcos chamados de saveiros, que chegavam aos montes de Maragogipinho, uma cidade que fica aqui perto, se for de carro é melhor; mas de saveiro é demorado, não gosto de andar nas águas pois, não sei nadar (risos).
Você precisava ver como as moças e os rapazes se trajavam, era uma belezura. Os rapazes de terno diagonal, chapéu branco, de banda,sapato branco, cravo na lapela; as moças com vestidos abaixo dos joelhos, plissados cintura fina (usava espartilho, para afinar a cintura)e assim passávamos os dia da feira de caxixis, comprando miniaturas porquinhos para guardar moedas, jarras...
Sempre ao cair da noite os moradores desse bairro e de outros bairros, se preparavam com jererés, puçás, redes e saiam para pescar, só retornavam ao amanhecer com os cofos cheios de peixes, siris, camarões, pitus,etc. E ainda tinha os pescadores que desciam o rio de canoa para pescar em águas mais profundas, no encontro de rio e mar, lá longe...
As águas do Rio Jaguaripe, sempre fornecia, fartura de pescados, suprindo as famílias que viviam de suas águas.

Luzia falava que no fundo da casa da madrinha dela havia uma parede de pedra e que das pedras escorria uma água em que todos utilizavam para beber, colocavam nas moringas, e nos porrões ela dizia que a água ficava bem geladinha, parecendo até que era colocada na geladeira. Não havia sanitários naquela época, as necessidades eram feitas em qualquer lugar reservado ou em pínicos e jogados no mato.
Toda tarde os moradores da rua se sentavam à porta para esperar o trem passar e acenavam com lenços brancos para os passageiros que retribuíam da mesma forma.
Ela falava que os homens, e principalmente o marido dela se preocupava muito era em visitar o abaixadinho, um bar que situado dentro do brega, um local de mulher de má vida (dizia ela), não se preocupando muitas vezes se nós estávamos precisando de alguma coisa, as vezes chegava em casa tarde da noite, com a cara cheia, (bebendo muito, fala ela).
Eu, Maria das Graças, morei num sobrado em frente a Padaria Vitória, hoje uma butique. Esse sobrado estava situado entre a avenida Dom Pedro II (avenida central) e ao fundo ficava a rua Barão Homem de Mello (antigo brega.).
Depois desse relato fiquei curiosa para saber se alguém conhece ou conheceu o "Abaixadinho"? E saberia contar alguma história que aconteceu lá no Abaixadinho? Gostaria que comentassem algo a respeito. Vamos lembrar as histórias e dar muitas risadas. Agradeço a todos (as) que fizerem comentários.
Referencias:
Leal, Abinael Morais. Guia Histórico de Nazaré, informações turísticas-culturais. Copyright, Salvador-Ba, 1997.
Tavares, Luis Henrique Dias. Nazaré das Farinhas, cidade do rio moreno/Luis Henrique Dias Tavares. Salvador; Secretaria da Cultura e Turismo, 2003, 70 p.:il,-(cidades da Bahia).
Agradecimento: "Vovó Luzia", moradora da cidade de Nazaré das Farinhas que, através da sua memória e de seu carinho, contou essa historia sobre o bairro onde nasci.
viverascidades.blogspot.com
cariricangaco.blogspot.com
filarmonicacincodemarco.blogspot.com
g1.globo.com
nazaredasfarinhas.com
tabuleirocultural.wordpress.com




Ler seu blog proporcionou conhecer mais a cidade de Nazaré das Farinhas.Agora, não vou mais relacionar a cidade apenas com a farinha,de ótima qualidade, e com as cerâmicas.Super legal!
ResponderExcluirVocê precisa achar um tempinho para ir conhecer esse paraíso de pertinho! Agradeço sua contribuição, você é muito atenciosa! Beijinhos.
ExcluirOlá Graça, muito interessante a história do Bairro das pedras, não sabia da existência desse bairro em Nazaré das Farinhas. O estilo colonial dos sobrados, o trem que passava por dentro do bairro, e o jeito especial dos moradores cumprimentarem os passageiros que passavam no trem chamam bastante atenção. Achei muito curioso também, quando dona Luzia comenta que no fundo da casa da madrinha dela tinha uma parede de pedra que escorria água, a qual era colocada em porrões e moringas para beber. E esse Abaixadinho? rsrsrsrs
ResponderExcluirMenina... esse Abaixadinho era famoso e odiado! rsrsrsrs Mas...faz parte da história de minha terra! Agradeço sua participação nesse meu trabalho que compartilho com todos, com muito carinho! Beijinhos
ExcluirEspero estar contribuindo com alguns detalhes sobre o abaixadinho.
ResponderExcluirAdorei ver através do seu blog as historias da nossa terra.
O abaixadinho não tinha esse nome por acaso, tratava-se de um bar, frequentado por boêmios e prostitutas na sua maioria.
A característica marcante era a sua arquitetura, pois seu piso era aproximadamente 1mt abaixo do nível da rua (o Brega), sendo que, suas portas mais pareciam janelas com mais ou menos 1mt e meio de altura; dessa forma tinham os seus frequentadores que se abaixar e descer alguns degraus para poder entrar no "ABAIXADINHO".
Só agora fiquei sabendo desses detalhes! Muito interessante. Agradeço a sua contribuição para enriquecer minha pesquisa. Beijinhos
ExcluirOlha que interessante a origem do nome do abaixadinho!
ResponderExcluirkkkk Nem eu sabia dessa historia, é bem interessante né?
ExcluirAdorei o blog e a história do seu bairro.
ResponderExcluirAlgumas fotos me fizeram recordar a minha infância...
Achei muito interessante também a explicação do nome "abaixadinho"... rsrrsrsrsrs
Muito bom, parabéns!
É tão bom lembrar a nossa infância, não é mesmo Gabriela? Agradeço a sua contribuição para meu trabalho. Beijinhos
ExcluirÉ interessante conhecer a história de seu bairro. Já conhecia alguma coisa sobre a história de Nazaré porque meu bisavô materno foi maquinista da Trans Road e meu avô paterno trabalhou na oficina da estrada de ferro então sempre ouvi essas histórias. E o famoso Abaixadinho... causa de terror para as mulheres casadas ou noivas dessa época nessa cidade; kkkk já ouvi muitas histórias sobre esse "antro", como dizia minha vó. Gostei muito. Parabéns Graça pelo seu trabalho.
ResponderExcluirComo sempre prestigiando os amigos, não poderia esperar que fosse diferente, mesmo sabendo que seu tempo é apertadíssimo por causa de seu trabalho, mas mesmo assim achou um tempinho para abrilhantar meu trabalho. Valeu lindo!
ExcluirOlá! Queria saber mais histórias desse lugar que sua avó te contou. Estou descobrindo a história de uma tia-avó que era famosa em Nazaré, Pequenita. Era dona de uma dessas pensões (bregas) e por esse motivo meu avô cortou ligações com ela. Disse que ela arruinou a família.... estou inclusive na cidade levantando essa história.
ExcluirAdorei conhecer um pedaço de Nazaré com tanta riqueza de detalhes e informações.
ResponderExcluirParabéns pelo trabalho!
Valeu a contribuição Faby. Beijinhos.
ExcluirOlá Graça, tenho uma certa aversão às redes sociais, vez que as pessoas banalizaram os meios de comunicação com suas frivolidades. Mas, felizmente, iniciativas como a sua demonstram o utilitarismo dessa ferramenta, sobretudo, porque traz a história da nossa gente, contribuindo para que a identidade da Bahia e do seu povo não se perca. Muito útil do ponto de vista prático (informativo) e também do ponto de vista social, dado que resgata ou pelo menos inspira o cultivo de valores/tradições que dificilmente se verifica nas grandes cidades. A história do seu bairro causa um saudosismo dos tempos das coisas simples, da qualidade de vida. Parabéns!
ResponderExcluirOlá Graça, as suas informações sobre Nazaré das Farinhas são muito importantes. Você foi muito feliz nas suas colocações. Parabéns.
ResponderExcluirOi Gal! Seu trabalho está maravilhoso! Parabéns.
ResponderExcluirA Cidade de Nazaré é uma cidade histórica, muito bonita, minha avó Cassiana, me contava que o “VAPOR” ou seja, hoje, “navio”, navegava sobre o Rio Jaguaripe; se deslocava de São Roque do Paraguaçú até Nazaré, apanhava os passageiros e os conduzia de volta á São Roque e lá, já se encontrava outro navio esperando os passageiros para levá-los até a cidade de Salvador. As pessoas que usavam esse meio de trasporte, eram de classe alta, se vestiam muito bem com roupas de seda pura, linho, bordados finos, luvas, leques para se abanarem, usavam chapéus com véu cobrindo os rostos, todo esse luxo é òbvio, que pertencia à Aristocracia, aos fidalgos.
O trem de ferro, também transportava muitos passageiros, alguns em classes especiais! Pois, havia a chamada segunda classe, que transportava a plebe. Havia essa distinção. Existia também os Clubes onde se realizava os bailes, a Rádio Clube, para a classe social alta, a Erato e a Euterpe para pessoas menos privilegiadas. Em relação à educação, tinhamos o Educandário de Nazaré, onde só estudava pessoas de classe alta e de moral ilibada. Como vimos, a moral, os costumes, eram preservados. Podemos citar como exemplo, ex alunos do Colégio Educandário de Nazaré O Ilustre Dr. Valdir Pires ex- governador do Estado da Bahia , Ministro da Previdência Social, Professor José Leone, (poeta nazareno), Anisio Melhor,( poeta e escritor) e outos mais. Sempre foi uma cidade hospitaleira que soube conservar suas tradições.
Lauristela muito obrigada, adorei essa contribuição para enriquecer esse trabalho que fiz com muito carinho e emoção, relembrando a minha infância querida.
ExcluirAgradeço a sua participação nesse trabalho tão prazeroso sobre as minhas lembranças. Beijinhos Betinha.
ResponderExcluirMesmo sabendo que você é averso as redes sociais, ainda assim não deixou de colaborar com essa pesquisa que diz respeito a todos nós que tivemos uma infância rica de experiencias alegres com as quais compartilhamos. Forte abraço meu irmão!
ResponderExcluirGalzinha
ResponderExcluirSua pesquisa está mto bem construída, sem dúvida um belo resgate da nossa história, do tempo em que Nazaré era próspera, porque hoje a terrinha anda muito maltratada.
Boa sorte pra vc no seu curso!
Um beijo.
http://patymichele.blogspot.com
Agradeço a sua contribuição nesse trabalho de lembrança sobre a nossa Terra. Beijinhos nas crianças e no maridão. Bjs.
ExcluirMuito bonita a história do seu bairro Gal, e é impressionante como as famílias sempre dependiam das águas do rio Jaguaribe para sobreviver. A vida tranquila anteriormente desfrutada pelos moradores tem relevância neste contexto, pois a história tem essa prerrogativa de nos levar as origens! Parabéns pelo belo trabalho.
ResponderExcluirMaria das Graças - Gostei muito de seu registro sobre nossa querida Nazaré.
ResponderExcluirFazendo pequena correção, somente para colaborar, informo que na verdade não existia
uma bairro e sim uma pequena rua Chamada Rua
das Pedras que começava no final da Rua da Qui
tanda(atual DPedro II até o inicio do Batatã(na ponte do Seco. A rua das Pedras hoje é cha
mada de Walson Lopes (orgulho de Nazaré, foi deputado federal pelo MDB).
Outra informação é que Waldir Pires não foi aluno do Educandário de Nazaré e sim do Colégio Clemente Caldas (é que posteriormente o Educandário de Nazaré, também chamado de Es-
cola Normal, recebeu o nome de Clemente Cal-
das). O antigo já não existia mais.
Parabéns pelo seu trabalho.
Osvaldo Jacobina
(orjacobina@hotmail.com)
Queria saber sobre sete brejo meus bisavô moravam lá bjss
ResponderExcluirQue lindo tia... parabéns. Sonho em ver a nossa cidade de volta aos bons tempos.
ResponderExcluirPARABÉNS pelo trabalho.
ResponderExcluirTenho duas curiosidades: A primeira é que morei no sobrado em frente à Sarapuí, na época o sobrado do meio, hoje o da pinta (o que ficava bem na curva foi derrubado) Em frente à Sarapuí tamben ficava o Clube e sede da Filarmônica EUTERPE, daqual meu saudoso Pai, Gerson Placido era presidente. Gerson Plácido o comerciante proprietario da loja A DISTRIBUIDORA, ficava em frente à Estação.
Por sinal, foi ele quem deu o nome ao Bar ABAIXADINHO, pir tudo que ja goi bem drscrito acima.
Um acesso ao abaixadinho era pela rua ao lado do Colégio de Raimundo Peteira.