domingo, 10 de agosto de 2014

                       CONTEXTO HISTÓRICO DE NAZARÉ DAS FARINHAS.


Até o ano de 1561, data em que o bispo D. Pedro Leitão fez a primeira visita pastoral ao interior da Bahia, nada se sabia sobre o povoamento da bacia do Jaguaripe. Teen-se noticias de que mais tarde, o padre Luis de Grã penetrou aquele rio partindo da Ilha de Itaparica e seguindo ao longo da costa até o sul, onde fundou as aldeias de São Miguel, Taperoá, e Camamum.

 Apesar  de já existir a aldeia de Santo Antonio dos Índios de jaguaripe, o povoamento da região só se iniciou em 1563, com colonizadores portugueses entre os quais se mencionam; Antonio Ribeiro (dono das Sesmarias concedida por Mem de Sá, primeiro governador geral), Gabriel Soares, Diogo Sande e Fernão Cabral de Ataíde; Este, provavelmente o primeiro a penetrar no território do atual Município de Nazaré.
Nos primeiros decênios da independência nacional, Nazaré prosperou de forma acentuada, para o que muito contribuiu o braço escravo, quer no trabalho da lavoura, quer na industria agrícola.
Engenho do SEC. XIX.


A designação de distrito criou-se em 1753. o município com sede na povoação de Nazaré das Farinhas (recebeu essa denominação em homenagem a Nossa Senhora de Nazaré), foi criado pelo decreto de 25 de outubro de 1831, que desanexou seu território do município de Jaguaripe.
Em Nazaré existiam vários engenhos, reconhecidos como produtivos (com levadas e rodas d'água), correntes e moentes no ano de 1799. Nazaré continuou se desenvolvendo nas primeiras décadas do século XIX sob a polaridade mandioca x cana de açúcar. Aumentavam também as roças de fumo e apareciam as primeiras plantações de café.

Os anos de 1840 foram muito promissores. Deram inicio a pequena industria artesanal de charutos, rapé,  pichuã (extrato de nicotina), e sabão.
Havia outras riquezas em seus subsolos como por exemplo, manganês, cobre, mercúrio e cristais de rocha, entre outros. Foi por tudo isso que o imperador Pedro II estendeu à cidade de Nazaré das Farinhas a sua visita.

A estrada de ferro de Nazaré Tram Road, começou em 1869, como um projeto ambicioso de comerciantes e personalidades da cidade de Nazaré associados a senhores de engenho nazarenos e comerciantes da cidade do Salvador.




A cidade de Nazaré destacou vários homens de prestígios, nos exemplos dos médicos Alexandre de Barros Bittencourt, Eurico Mata, José Marcelino de Sousa, entre tantos outros.

São testemunha do progresso de Nazaré as fabricas de tecidos Sarapuí, o Cortume e a fabrica de óleos. Nos inícios dos anos de 1920 acrescentou-se a energia elétrica, o que significou para a cidade a posição de uma das primeiras cidades do interior da Bahia iluminada por luz elétrica
.
A passagem de Ruy Barbosa pela cidade em 2 de dezembro de 1919, foi um episodio fugaz, mas expressivo de sua importância politica e econômica. Ruy Barbosa a visitou no decurso de sua campanha contra a volta de J. J. Seabra ao governo do Estado da Bahia.

  Nessa "Terra Morena" existem vários bairros e suas histórias   dentro da história de Nazaré.

A  HISTÓRIA DO MEU BAIRRO

        "RUA DAS PEDRAS".

O bairro onde nasci chamava-se Rua das Pedras localizado na cidade de Nazaré das Farinhas, situada no recôncavo baiano. Sempre tive curiosidade em saber a origem desse nome, então através da pesquisa orientada pelo Professor Dr. Alfredo Eurico Rodrigues Matta para o Referencial Teórico Metodológico de História, busquei conhecer a história do meu bairro.
Conversando com vó Luzia, uma senhora de 86 anos, nascida e criada em Nazaré das Farinhas obtive algumas informações muito interessante.
Contou dona Luzia que antes, quando ela era bem pequena, esse bairro se chamava Rua das Quitandas mas, seus moradores sempre o chamou de Rua das Pedras pois, era um lugar em que os quintais eram cercados de pedreiras.
Ela disse que quando era pequena a rua tinha muitos sobrados estilo colonial, havia uma linha de trem que passava por dentro do bairro. De um lado havia os sobrados e casas de vários tipos do outro lado havia a fabrica de tecidos que era chamada de Sarapuí, uma detenção, e um jardim, na fabrica  trabalhavam    muitos conhecidos e vizinhos. A maioria das pessoas que trabalhavam lá possuíam problemas respiratórios devido a poeira dos fios de algodão que respiravam . havia uma sirene que apitava alto quando começava. ou encerrava o expediente.
Ao meio cortando o bairro e a cidade estava o Rio Jaguaripe, era bem largo, (dizia ela), não tinha as duas pontes; as pessoas atravessavam de guiga, jangada ou canoa, para chegar ao outo lado, no Alto do Barão, era um lugar bem alto onde tinha uma casa que ficava lá em cima atrás da Igreja da Conceição.
Era muito bonita a cidade. Tinha a Arrecadação, muitos eram os saveiros que chegavam e saiam carregados de coisas, peixes secos, porrões, panelas de barro flores, coco seco, dendê. Aqui em Nazaré, na rua da lama, antigamente tinha várias vinagreiras depósitos de farinha, deposito de madeiras, a cidade era muito próspera.
Sempre no mês de abril acontecia a feira de caxixis, nós nos arrumávamos com as melhores roupas e ficávamos desfilando para cima e para baixo, comprando os caxixis que eram trazidos por barcos chamados de saveiros, que chegavam aos montes de Maragogipinho, uma cidade que fica aqui perto, se for de carro é melhor; mas de saveiro é demorado, não gosto de andar nas águas pois, não sei nadar (risos).
Você precisava ver como as moças e os rapazes se trajavam, era uma belezura. Os rapazes de terno diagonal, chapéu branco, de banda,sapato branco, cravo na lapela; as moças com vestidos abaixo dos joelhos, plissados cintura fina (usava espartilho, para afinar a cintura)e assim passávamos os dia da feira de caxixis, comprando miniaturas porquinhos para guardar moedas, jarras...




















 Sempre ao cair da noite os moradores desse bairro e de outros bairros, se preparavam com jererés, puçás, redes e saiam para pescar, só retornavam ao amanhecer com os cofos cheios de peixes, siris, camarões, pitus,etc. E ainda tinha os pescadores que desciam o rio de canoa para pescar em águas mais profundas, no encontro de rio e mar, lá longe...
As águas do Rio Jaguaripe, sempre fornecia, fartura de pescados, suprindo as famílias que viviam de suas águas.



















Luzia falava que no fundo da casa da madrinha dela havia uma parede de pedra e que das pedras escorria uma água em que todos utilizavam para beber, colocavam nas moringas, e nos porrões ela dizia que a água ficava bem geladinha, parecendo até que era colocada na geladeira. Não havia sanitários naquela época, as necessidades eram feitas em qualquer lugar reservado ou em pínicos e jogados no mato.
Toda tarde os moradores da rua se sentavam à porta para esperar o trem passar e acenavam com lenços brancos para os passageiros que retribuíam da mesma forma.

Ela falava que os homens, e principalmente o marido dela se preocupava muito era em visitar o abaixadinho, um bar que situado dentro do brega, um local de mulher de má vida (dizia ela), não se preocupando muitas vezes se nós estávamos precisando de alguma coisa, as vezes chegava em casa tarde da noite, com a cara cheia, (bebendo muito, fala ela).
Eu, Maria das Graças, morei num sobrado em frente a Padaria Vitória, hoje uma butique. Esse sobrado estava situado entre a avenida Dom Pedro II (avenida central) e ao fundo ficava a rua Barão Homem de Mello (antigo brega.).
Depois desse relato fiquei curiosa para saber se alguém conhece ou conheceu o "Abaixadinho"? E saberia contar alguma história que aconteceu lá no Abaixadinho? Gostaria que comentassem algo a respeito. Vamos lembrar as histórias e dar muitas risadas. Agradeço a todos (as) que fizerem comentários.


















Referencias:

Leal, Abinael Morais. Guia Histórico de Nazaré, informações turísticas-culturais. Copyright, Salvador-Ba, 1997.
Tavares, Luis Henrique Dias. Nazaré das Farinhas, cidade do rio moreno/Luis Henrique Dias Tavares. Salvador; Secretaria da Cultura e Turismo, 2003, 70 p.:il,-(cidades da Bahia).

Agradecimento: "Vovó Luzia", moradora da cidade de Nazaré das Farinhas que, através da sua memória e de seu carinho, contou essa historia sobre o bairro onde nasci. 

viverascidades.blogspot.com
cariricangaco.blogspot.com 
filarmonicacincodemarco.blogspot.com 
g1.globo.com 
nazaredasfarinhas.com
tabuleirocultural.wordpress.com